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Poesia 92 – Copo d´água


Minha vida é um copo d´água,
Numa comparação infame, mas compreensível.
Cheio, transbordante,
Amigos, família, parentes, todos querem beber,
Degustar do meu sabor...
Vazio, seco, miserável,
Somem todos em busca de gotas de outros potes...

Pela metade, uns me acham acomodado,
De bem com a vida,
Sorridente e alegre...
Outros acham que estou triste,
Meu semblante fechado, assustador...

Alguns ainda me confundem
Dizem que a água está estragada
Que a água virou vinho,
Pinga, ou algo semelhante...

Dessa forma, ninguém pode beber e não se embriagar.
Alguns se embriagam e grudam, querendo mais,
Outros, mais bêbados, caem, se afastam,
Mas voltam, querendo mais...

No final das contas, realmente sou um copo,
Mas não de água, apenas e puramente,
Sou apenas um copo...

Coloque o que quiser e beberás o que derramar em mim:
A água do amor, conforme sua paixão,
A pinga do ódio, conforme seu rancor...

Sou um copo, mas tenho reflexos,
E meu reflexo é você espelhado em meu vidro,
Onde apenas devolvo o que me dás para beber...

Sou cristal para alguns, que sabem usar,
E sou madeira para outros, que sempre me derrubam.
Mas, principalmente, tento ser ouro para alguns,
Que merecem meu valor,
Pois também são taças douradas,
Da mais pura bondade e amor...

(Autor: Jorge Leite de Siqueira)

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