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Poesia 53 - Franco-atirador



Subi escadas
Tentando atingir o mais alto nível geográfico
Dentro do prédio virtual.
No topo do prédio
Vi pessoas passando, indo e vindo,
Todas com fotos e perfis
Em uma cidade chamada Orkut.

Alguns batiam em minha porta
Às quais, abria com prazer;
Outras portas eu empurrava
Mostrando o meu trabalho, como um vendedor,
Ambulante virtual.
Alguns me aceitaram,
Outros, não, me rejeitavam na hora
E até trancavam a porta.

Alguns amigos, algumas amigas, tantas ilusões.
Pessoas que acham que sabem;
Pessoas que sabem que sabem;
Mas tantas que nem sabem o que sabem...

E eu lá na cobertura
Arma na mão, fazendo mira e atirando.
Algumas caíam, outras só balançavam,
Mas, a todas eu acertava.
Algumas entendiam, eu sou normal, sou poeta,
Outras, não, achavam que eu era ator de cinema
E que meus tiros eram de festim
E que não machucariam...

Tantos tiros, tantos corpos,
Até que o tiro ricocheteou e me acertou
Bateu no coração...

Estou morrendo,
Quem vai me enterrar? Onde é o cemitério?
Lixeira? Pasta temporária?...
Onde ficarei pro resto da minha vida virtual?
Quem eu levarei comigo?

Pois sou franco-atirador,
E sempre levo alguém comigo
Sempre levo alguém
No coração...

(Autor: Jorge Leite de Siqueira)

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