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Poesia 47 - O som da flauta


Quando fui monge
Aprendi a entender a música
Os dedos preenchendo furos no bambu
O som invadindo ouvidos
O prazer de criador
O sonho realizando...

Depois fui camponês
Conheci o poder da terra e da água
Precisei do som, mas fugi
Eram só animais
E o bambu se desfez...

Como mulher, fui bruxa
Dominante, assustadora
Dominei a música
Tambores, bambu, cordas
Superior, exaltei e morri...

Romano
Guerreiro, sem tempo, sem luz
Uma única vez o menino
Mostrou o som que fazia
Ignorei, pois era guerreiro
E não me atrevi...

Moderno, não sou ninguém
Porém está quase no fim
Meu descanso já é prometido
Tudo volta ao normal
Olhos abertos te sinto
Olhos fechados te ouço
Na luz, aprendo, sou menino
Na sombra, ensino, sou homem...

E o que era bambu
Virou metal
Se transformou.
O som continua o mesmo
O espírito continua idêntico
E tudo chega afinal
Ao final...

(Autor: Jorge Leite de Siqueira)

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