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Poesia 3082 – sobre meus medos


meu medo
está na porta do hospício
que me prende e se abre pra mim.

meu medo
está em meus amigos invisíveis
loucos que vêm e vão
enquanto os ponteiros noturnos rodam.

meu medo
está em minhas companheiras
esfrangalhadas e enfrangalheiras
carentes que se agarram ao cadáver que sou.

meu medo
está no sapato apertado,
na camisa colada,
na sunga sem volume.

meu medo
está na gola que me sufoca,
no beijo de açúcar,
na mão em minha bunda.

meu medo
está no transtorno compulsivo,
em corrigir palavras,
em ouvir minha voz.

meu medo está na membrana que prende minha língua.

meu medo
está na bala perdida,
no punho fechado,
no estilhaçar do copo na parede,
no olhar penetrante do maconheiro.

meu medo
está nas impotências,
na falta de músculos,
no quebrar do vidro de meus olhos postiços.

meu medo
está na rejeição;
está na insignificância;
está no nada.

meu medo
está na falta do saldo bancário,
está no carro que não tenho,
está na viagem que não fiz.

meu medo está em mim.
está no que sou
e no que eu poderia ter sido.

meu medo está em minha inconsciência como traumas.

meu medo
está na minha morte
que o fará diminuir-se ao meio.

aliás
meu medo
não está na morte.


meus medos estão no meu viver…

Jorge de Siqueira


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