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Poesia 2780 - A morte do mendigo no inverno

o calendário nem virou
e os olhos cinza
dele
se fecharam para sempre.

o frio congelou seu sangue.

quem ele era?
de onde veio?
para onde ia?

sua história saiu nos jornais
nos rádios
e na televisão.

sua insignificância social estampou a primeira página!

famoso
recheou de ossos um caixão barato
doado pelo município.

eu não fui ao seu enterro.
você não foi.
ninguém foi.

apenas escrevi um post no facebook...

famoso
como nunca quis
se escondia atrás de roupas sujas
e de uma garrafa de cachaça.

famoso
se se visse nos jornais
assim
tão velho e acabado
morreria de novo.

dessa vez de desgosto...


e em seu bolso, na primeira folha de um caderno velho e amassado havia uma poesia que começava assim: abandonado pela sociedade, eu...”

Jorge de Siqueira


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