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Poesia 2628 - Rósea

estava escuro
janelas fechadas escondiam o sol
era tarde da manhã.

os botões se abriram.
não eram rosas.
eram róseos.

o bico direito
mais curioso
é o primeiro a aparecer.
tão curioso que enrijece ao toque de minha língua.

direito. esquerdo. gêmeos?
róseos.
molhados de saliva.

ativam neurônios
e suas correntes elétricas.
e molham a gruta escondida...

gruta rósea.
rósea e molhada.
muito molhada.
encharcada.

e doce...

a saliva se mistura ao líquido viscoso
formam um rio
forma um oceano.

surge o navio.
mastro rijo.
invade a gruta
que se dilata
que se encolhe.

úmida, a gruta engole o navio.
ardente, a gruta engole o navio.
louca, a gruta engole o navio
e seu mastro.

e não o solta.

não antes de explodir em lavas vulcânicas
que não queimam
mas também não apagam o fogo da menina mulher.

a tarde chegou
a tarde acabou
a noite chegou
a fome voltou.

a gruta encharcou novamente e quer mais.
e mais.


e muito mais...

jorge leite de siqueira



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