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Poesia 2616 - O sebo

entro no sebo.
letras velhas passam voando por cima de mim
afastam teias de aranha
desamarelam a luz do sol
e me invadem.

poesia.
os poetas estão tristes
na última prateleira
abandonados.
depois de tudo.

vinícius chora
de mãos dadas a drummond e bandeira.
quintana não está ali.
quintana não gosta dali?
vive no luxo das livrarias da paulista?

enfileirados
certinhos
em ordem alfabética
esperam a morte definitiva
nos dentes das traças.

em fila,
baratos.
mas, soberbos.

nunca foram tão educados.

música?
ouço renato russo.
espera também seu resgate
que nunca chega.

ah, maldita tecnologia.

escolho alguns poetas para seguir comigo.
abraço-os
(não sem antes pedir desconto)
e os levo
na mochila.

na estante da sala
reencontram velhos amigos.
tantos e tão velhos.
tantos e nunca velhos para mim.

felizes
divertem-se
livres das traças
das teias
da poeira.

em casa
caipirinha na mão
peço que me contem histórias.

numa louca dança
escuto-os
um a um
e os embalo comigo.

loucura cósmica.

outra dimensão...

jorge leite de siqueira

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