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Poesia 127 – Quem eu sou?


Paro o carro,
Desligo o rádio, o motor,
Respiro fundo, mais um dia...
Desço, chave na mão,
Entro no prédio,
Olhares curiosos...
Será que sabem quem sou?

Vou na minha sala,
Abro as janelas,
Ventilação necessária...
Vou bater meu cartão de ponto
E cruzo com todo mundo...
Será que sabem quem sou?

Quando cruzo o “lugar dos mortos”,
A cruz em meu peito
Me protege...
Mas quando cruzo com os vivos,
Quem poderá me proteger?
Será que sabem quem sou?

Mando olhares e cumprimentos,
Recebo sussurros e silêncios...
Alguns sorriem,
Me reconhecem,
Sabem que sou eterno...
O corredor é grande
Como o sofrimento que passo...
Será que sabem quem sou?

O último alô,
A quem está de chegada, também,
Poderia bem ser o primeiro “bom dia”
Neste novo Além...
Como um fantasma,
Volto pelo corredor
Até minha sala...
Será que sabem quem eu sou?

Letras e números se repetem,
Meia dúzia de horas,
Repetidas e inúteis...

Nem eu sei mais quem sou...

(Autor: Jorge Leite de Siqueira)

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