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Poesia 62 - Fantasma


O rapaz passou
A enfermeira olha pra ele
Ele não se identifica, está sério...

Ela, não consegue perguntar nada,
Nem nome, nem o que ele pretende.

Invade a recepção,
Sem identificação,
Sem palavras nem comentários...

Segue o corredor, a enfermeira atrás,
Curiosa,
Onde será que ele vai?
Ele anda, ela segue...

Anda, não olha pra trás,
Apenas anda...

A sirene da emergência toca
Ela precisa voltar
Chega alguém na ambulância...

Ela tem dúvidas:
Deixar ele seguir
Ou chamá-lo e pedir explicações...?

A ambulância encosta
Ela precisa decidir...

Ela decide e volta para a recepção,
O rapaz segue seu caminho
Corredor adentro...

A ambulância encosta
O motorista desce, rapidamente,
“Acidente”, ele comenta,
“Óbito”, se escuta quando abre a porta do carro,
“Mais um”, ela pensa, enquanto puxa a maca...

O susto, o arrepio:
Aquele rosto, aquela camisa, aquela calça,
Já eram conhecidos pra ela...

Há alguns minutos
Aquele mesmo rapaz havia chegado ao hospital
E seguia pelo corredor
Em direção ao necrotério: o espírito chegou antes...

(Autor: Jorge Leite de Siqueira)

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