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Poesia 18 - Fio de vida


Os aparelhos sustentam tua vida
Respiras devagar.
Agora estás descansando
Como tanto quisestes na vida...

Teu espírito está dividido
Entre ir e partir
Deixar os prazeres da Terra
Ou desfrutar da paz do Além...

Apenas um fio te mantém conosco
Teu corpo não responde mais.
Uma falha humana,
Um problema mecânico,
Tudo pode acontecer e te perderemos...

Faltam três dias para acabar o ano
E apenas um fio te segura aqui.
Será que ouvirás os fogos estourando no céu
Como gostava tanto quando estavas lúcida?
Será que verás os brilhos que eles fazem
Faiscando labaredas coloridas nos céus?

A incerteza de mais um minuto conosco
É a mesma da eternidade do paraíso.

Siga teu caminho
Não te prendas a este mundo mesquinho
Onde sofrestes tanto...

Nem na tua despedida consegues ser feliz.
Tudo em teu corpo já parou
Apenas uma máquina te mantém aqui...
Parta, faça sua viagem.
Não leves nada contigo a não ser o nosso amor
A não ser a certeza de que farás falta
A não ser a dor que deixarás em não termos sua presença material...

Vá embora...
Siga teu caminho...
Obrigado pelo teu amor
Obrigado pelo que tu fizestes
Obrigado pelo amor que nos deu...

Mas, agora,
Vá, siga teu caminho,
Tenho certeza de que algo melhor te espera...

(Autor: Jorge Leite de Siqueira)

Um comentário:

  1. Eu me lembro bem do dia em que fiz essa poesia. Estava trabalhando em Santa Bárbara d'Oeste, hospital municipal. Andava pelo corredor quando ouvi aquele bip bip que marcava a batida do coração. Bip bip bem devagar. Daí me contaram a história da pessoa que ali estava, esperando "subir".

    É um choque mental você saber que alguém está tão perto de morrer.

    E no dia seguinte não havia mais bip bip... Que Deus o tenha em bom lugar...

    :) E a vida segue!!!

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