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Poesia 2595 - E o cigano morreu!

E o cigano morreu!
Seu corpo foi encontrado
Em decomposição
Pela última esposa.

Causa da morte?
Perfuração no coração.

Seus restos mortais
Foram velados no cemitério.
Ele não tinha casa
Ele não tinha amigos
Ele não tinha nada.

Mulheres choraram.
Dezenas.
Centenas.
Milhares.

E milhões sorriram vingadas...
 
Algumas foram ao enterro
Xingaram-no
Odiaram-no
Amaram-no.

Isso não importa
Ele morreu
Ninguém pode culpá-lo de nada.
Nem de sorte
Nem de azar
Nem de anjo
Nem de demônio.

O cigano morreu.

Que vá tarde!
Viver assim
Inutilmente
Não tem sentido.

É melhor a morte.

No seu bolso
Um último verso:
Cuidado
Suas palavras são veneno
Não se engasgue.
Cuidado
Suas palavras são facas afiadas
Mataram-me
E podem te matar...
 
JORGE LEITE DE SIQUEIRA
 

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